coisas aleatórias

Ser adulto é uma bosta

maio 16, 2018



Uma vez, quando eu era adolescente, com uns 14 ou 15 anos, resolvi me matricular em um curso técnico de eletroeletrônica, em uma instituição na cidade próxima a qual eu morava, no interior de São Paulo. Eu não queria, de fato, fazer aquele curso. Mas, ao mesmo tempo, pensei que poderia dar certo - e todo mundo que era "legal" (que eu considerava legal, ou seja, os nerds/alunos aplicados como eu) fazia (não esse mesmo curso, em geral), então eu achei que deveria me inscrever também. Estava no terrível 2º ano do ensino médio, com aquela pressão idiota a qual somos submetidos tão cedo, e por todos os lados, para decidir uma carreira - e tinha que escolher certo de primeira, se não sua vida seria miserável e infeliz. Parecia o inferno. Prestei o vestibulinho, passei e fui, com a cara e nem tanta coragem (morrendo de vergonha de chegar em um lugar novo, com pessoas novas, pessoas mais velhas e eu, uma adolescente tímida, que se achava burra demais porque não sabia fazer certas contas de cabeça). As primeiras aulas foram ok. Consegui acompanhar o resto da turma, formada inteiramente por homens de mais de 25 anos, que já trabalhavam com isso e precisavam simplesmente de um certificado. As aulas eram a noite. Minha rotina (que não chegava nem aos pés da rotina extremamente cansativa da maioria dos brasileiros, sei bem) consistia em sair de casa às 6h da manhã, retornar às 13h e sair de novo às 17h para voltar só depois da meia-noite. E a pressão de ir bem nas provas do colégio, e nos testes de treino do vestibular, e a sensação de ter que terminar tudo o que eu começava, porque o contrário significaria ter falhado - e falhar não era uma opção quando todo mundo fazia a mesma coisa e conseguia. Dois meses e muitas lágrimas derramadas em silêncio depois, desabei por completo. Chorei na frente dos meus pais como nunca antes. Deixei escapar que eu não era a filha perfeita e brilhante que, com esforço, conseguiria fazer tudo - afinal tinha tudo que eles não tiveram e sua única responsabilidade era estudar. Chorei até soluçar, até ficar sem fôlego e, entrecortadamente, conseguir falar o que me afligia. Eu não aguentava mais. Era demais para mim acordar tão cedo e dormir tão tarde. Lidar com números, fórmulas e contas que não faziam o menor sentido. Dar conta de todos os meus estudos ao mesmo tempo. Eu não queria aquilo, não era pra mim. Eu teria que desistir e declarar que falhei. Não entendo até hoje porque imaginei que a história se desdobraria de maneira diferente - sempre penso o pior -, mas minha mãe apenas me abraçou e disse: se você não quer ir mais, não tem problema, por que ficou sofrendo com isso por tanto tempo? E assim, tão rápido que foi quase um choque, eu estava livre. Eu não precisava mais frequentar aquele curso. Não tinha que dar nenhum tipo de satisfação para ninguém e podia seguir com a minha vidinha mais tranquila como antes. Tudo bem. 
Por vezes me pego pensando nesse dia. A sensação das palavras presas na minha garganta; do choro que veio sem eu poder controlá-lo porque a pressão interna era muita; o alívio depois que tudo acabou... Hoje, mil anos depois, não posso começar a chorar simplesmente e dizer que não aguento mais ir para o trabalho todos os dias; ter mais responsabilidades do que acho que posso suportar; que não consigo mais pensar sobre o futuro e todas as suas incertezas. Não posso me sentar em minha cama da adolescência e deixar as lágrimas fluírem. Minha mãe não pode me dizer "calma, vai ficar tudo bem, você não precisa mais fazer isso se não gosta". É preciso suportar. Engolir os medos infantis e sonhos frustrados e viver um dia depois do outro. Quem me dera ainda ser uma adolescente que sofria por conta de um curso que não seria concluído...

Diário de Leitura

Diário de Leitura: Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski #17

maio 16, 2018

Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski
Editora: Martin Claret
Ano: 2013 (publicação original: 1866)
Páginas: 591
Nota: 5/5
Sinopse: Publicado em 1866, Crime e Castigo é a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para preservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.

Diário de Leitura

Diário de Leitura: Garota Exemplar - Gillian Flynn #16

maio 13, 2018

Depois de ler Garota Exemplar você:

a) Fica de boa, afinal é apenas uma história MUITO BOA de ficção
b) Faz uma reflexão sobre o tema central do livro (como a gente não conhece bem as pessoas, por mais que pense que conheça), mas nada profundo
c) Se questiona sobre a sua vida, seus gostos, sua interação com outras pessoas e seu relacionamento e fica um pouco paranoica

Resposta: C, certo?

Garota Exemplar - Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 448
Nota: 5/5 + Favorito

Sinopse: Uma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise. Com 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo – o maior sucesso editorial do ano, atrás apenas da Trilogia Cinquenta tons de cinza –, "Garota Exemplar" alia humor perspicaz a uma narrativa eletrizante. O resultado é uma atmosfera de dúvidas que faz o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública – e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy –, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?


Crônicas de Amor e Ódio

Diário de Leitura: The Kiss of Deception - Mary E. Pearson #15

abril 11, 2018

Não sei nem por onde começar a falar sobre esse livro maravilhoso e sensível que me fez ficar acordada até tarde lendo muito. Tô apaixonada!

The Kiss of Deception - Mary E. Pearson
Editora: DarkSide
Crônicas de Amor e Ódio #1
Páginas: 406
Nota: 5/5
Sinopse: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? 
Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.

O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.

Diário de Leitura

Diário de Leitura: Noite Eterna - Guillermo del Toro & Chuck Hogan #14

abril 11, 2018

Uma trilogia que começou muito bem, mas do segundo para o último virou aquilo que podemos chamar de "picolé de chuchu". 
Noite Eterna - Guillermo del Toro e Chuck Hogan
Editora: Rocco
Trilogia da Escuridão #3
Páginas: 416
Nota: 3/5
Sinopse: Dois anos após o início da epidemia de vampiros que se alastrou pelo globo, os dias têm apenas duas horas de sol e a humanidade encontra-se à beira da aniquilação. A única esperança de resistência contra o exército do Mestre, o vampiro ancestral, é o grupo liderado por Eph Goodweather. Mas as evidências de que há um traidor entre eles pode pôr em risco o destino da raça humana. Traduzida em mais de 20 países, a série renova as tradicionais histórias de vampiros e surpreende pela originalidade.

Diário de Leitura

Diário de Leitura: O Penúltimo Perigo - Lemony Snicket #13

abril 02, 2018

O Penúltimo Perigo - Lemony Snicket
Desventuras em Série #12
Editora: Cia. das Letras
Páginas: 320
Nota: 5/5

Sinopse: Quem, em prantos, seguiu as Desventuras em Série publicadas pela Companhia das Letras, vai chorar ainda mais com o 12o. e último livro antes do último livro da terrível coleção de Lemony Snicket. Nele, os órfãos Baudelaire enfrentam o odioso Conde Olaf no Hotel Desenlace, onde os horrores se sucedem: uma vilã vestida de alface, gente furtiva perambulando no porão, um relógio sinistro, um açucareiro perdido, uma lavanderia com Cerramento Supravernacular Complexo, um tribunal vendado, pessoas nobres e pérfidas no mesmo barco e um final terrivelmente surpreendente. Porém, o que contém o açucareiro, e o que é C.S.C.? Só saberemos, talvez, num igualmente misterioso 13o. volume.

Como sempre, nenhuma das nossas perguntas foi respondia e meu coração quase que não aguenta a leitura desse livro. Que aflição!

Odeio injustiças, e Desventuras em Série apresenta uma série de injustiças cometidas contas os nobres irmãos Baudelaire por pessoas extremamente pérfidas como o Conde Olaf. A irresponsabilidade dos adultos ao redor dos órfãos me deixa nervosa desde 2005 quando embarquei nessa desaventurada aventura. 

Neste volume, os irmãos conhecem a misteriosa e grávida figura de Kit Snicket. Ela leva os Baudelaire até o Hotel Desenlace, onde eles deveriam estar até quinta-feira para finalmente - quem sabe - descobrir mais sobre C.S.C e salvar  alguns voluntários. 

Porém, é óbvio, tudo se volta contra o trio que, disfarçados de concièrges, são obrigados a atender os hospedes e ao mesmo tempo descobrir coisas úteis - como os planos pérfidos do conde Olaf. Em meio a um mix de pessoas boas e más (alguns difíceis de identificar como um ou outro), os irmãos acabam no meio de um "tribunal cego", no qual os participantes estão literalmente vendados. 

Como sempre, Olaf dá um jeito de triunfar e o Hotel pega fogo. No fim das contas, a única saída dos Baudelaire é tentar salvar a si mesmos, já que ninguém os escuta. À bordo de um barco localizado na cobertura, os irmãos pensam estar à salvo, apesar de se sentirem responsáveis pela tragédia. Eles só não contavam que para sair do incêndio, teriam de dividir o barco com seu maior inimigo.

Meu coração sofre cada vez que os Baudelaire quase escapam por um triz, só para serem capturados. Parece que esses livros foram escritos para fazer a gente passar raiva. Mas né, seguimos firmes.


Agatha Christie

Diário de Leitura: Morte na Mesopotâmia - Agatha Christie #12

abril 02, 2018

Olá pessoas, tudo bem? Tou correndo atrás do tempo perdido para atualizar o blog com minhas últimas leituras (no caso todas as lituras de maço e algumas de fevereiro). Vamos lá, falar da rainha!

Morte na Mesopotâmia - Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 240
Nota: 5/5
Sinopse:  A enfermeira Amy Leatheran é contratada para se juntar a uma expedição arqueológica no Iraque. Mas sua função ali tem bem pouco a ver com ruínas e artefatos: ela deve vigiar de perto a bela Louise Leidner, que está cada vez mais apavorada com a ideia de que talvez seu ex-marido não esteja tão morto quanto acreditava.

Louise pode estar imaginando coisas. Mas o fato é que, uma semana após a chegada da enfermeira, a mulher é encontrada morta no próprio quarto, e agora cabe a Hercule Poirot identificar o assassino. Quem terá sido? Tudo indica que o culpado está entre os membros da equipe de cientistas...

Minha nossa, o que foi este livro? 

Em geral, não desconfio do final da história nos livro da Agatha e com este não diferente. Desde o começo, quando Amy explica como ela foi parar na expedição, eu imaginei um desfecho 100% diferente do que realmente aconteceu.

Quando Amy chegou à base da expedição arqueológica liderada pelo marido de Louise, ela percebeu que realmente havia uma certa tensão no ar. Todos pareciam estar no limite, especialmente a "enferma" Louise. É claro que a maioria das pessoas achava que ela estava louca, mas depois que a história vem a tona, percebe-se que ela tinha motivos.

O caso é o seguinte: Louise fora casada anos atrás com um cara e depois se separou. Só que, segundo ela, ele enviava bilhetes com ameaças de morte cada vez que ela chegava perto de se casar novamente. Só que, passado um tempo, o ex-marido morreu e ela sentiu que poderia finalmente se casar de novo quando conheceu o dr. Leidner, chefe da expedição. 

O problema é que ela voltou a receber esses bilhetes e entrou em pânico - além de jurar que vira alguém em sua janela não muito antes da chegada da enfermeira. Dias depois, a mulher é encontrada morta em seu próprio quarto e ninguém vê ou ouve nada. 

Nosso querido Poirot entra em cena e o mistério parece um tanto peculiar. Em meio a alguns desafetos e a total falta de pistas, o detetive junta os pedaços do quebra-cabeça até finalmente descobrir a solução. E que solução! Fiquei até abobalhada quando finalmente revelou-se quem era o assassino. Nem nos meus mais loucos sonhos eu imaginaria algo do tipo. Ponto para a rainha!

📗📗📗📗

Diário de Leitura

Diário de Leitura: Headhunters - Jo Nesbo #11

abril 01, 2018

Mais uma da série "se eu tivesse começado a ler Jo Nesbo por este livro, não teria gostado". Mas não é que o livro é ruim, é meio... confuso. 

Headhunters - Jo Nesbo
Editora: Record:
Páginas: 238
Nota: 4/5
Sinopse: Roger Brown é o melhor headhunter da Noruega. As maiores empresas do país contam com seu faro na hora de escolher os executivos que ocuparão cargos de liderança. Casado com uma mulher deslumbrante, dona de uma badalada galeria de arte, Roger mora em uma mansão construída por um renomado arquiteto. Aparentemente, ele tem a vida perfeita, mas é cada vez mais difícil arcar com os custos dela. E Roger só consegue isso roubando obras de arte e vendendo-as para o mercado negro. Até que surge em seu caminho Clas Greve, um executivo holandês de alto gabarito. Greve é um achado duplo: além de ser o candidato perfeito para um cargo altíssimo, também possui um valioso e desejado quadro do pintor flamengo Rubens, que se acredita estar perdido desde a Segunda Guerra Mundial. Se conseguir colocar as mãos em sua presa, Roger finalmente poderá dar fim a suas atividades no mercado negro de arte e assumir a vida perfeita que sempre sonhou. Mas há outro caçador nesse jogo, e os riscos que Roger corre podem colocá-lo em um terrível pesadelo.